Cobertura completa de celular chega aos municípios da Amazônia até abril de 2010
Quem mora em qualquer um dos municípios-sedes da Região Amazônica deve estar coberto com serviço de telefonia celular até abril do ano que vem, segundo uma obrigatoriedade estipulada em 2007, quando a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) leiloou as freqüências da terceira geração da telefonia móvel (3G).
Segundo o gerente de regulamentação da Superintendência de Serviços Privados da Anatel, Bruno Ramos, ainda assim muitas localidades ficarão sem cobertura, mas a chegada às sedes vai facilitar a expansão do serviço para os locais mais distantes.
“Hoje eu tenho uma dificuldade até para chegar no distrito-sede. A partir daí, com uma estrutura de transmissão, eu posso fazer a extensão mais facilmente”, disse hoje (5), em audiência pública da Comissão da Amazônia da Câmara dos Deputados, em que se discutiu a situação da telefonia celular na região.
Cabos sobre as árvores na Amazônia
Segundo ele, a principal dificuldade para que a telefonia celular chegue à região é relativa à transmissão. “É preciso passar o cabo em cima da árvore, porque se passar pelo chão, alaga. É muito complicado”, explicou.
Ramos também informou que a Anatel deve lançar este ano o edital para a última banda de 3G, com novas obrigações para as operadoras. Para ele, além da fiscalização, a melhor maneira de promover a qualidade dos serviços e do atendimento no setor de telefonia é estimular a competição. “Se você está em uma cidade e tem apenas um provedor de serviços de telecomunicações, você vai engolir e ficar nele. Mas se você tem alternativas, isso vai fazer com que ele corra atrás”, disse.
O presidente da Associação das Operadoras de Celulares (Acel), Emerson Costa, lembrou que a telefonia celular já atinge 88,3% da Região Amazônica, enquanto a cobertura em todo o Brasil gira em torno de 92%. Segundo ele, as empresas estão cumprindo com o compromisso firmado com a Anatel e terão condições de oferecer cobertura a todos os municípios-sedes até abril de 2010.
Ele admitiu que a Amazônia é menos atrativa para investimentos das operadoras, mas lembrou que as empresas podem trabalhar em projetos de expansão na região. “A Amazônia é uma região menos atraente, em comparação com as outras. Mas o que estamos vendo é que, com o desenvolvimento da região, possa aumentar a vontade das empresas de investir”, afirma.
Sabrina Craide
Repórter da Agência Brasil



